Entre janeiro e setembro de 2024, estrangeiros investiram R$ 283,2 milhões no mercado imobiliário brasileiro, conforme revela a edição de abril de 2025 do Boletim da Migração, fruto do trabalho do Departamento de Migrações da Secretaria Nacional de Justiça.
Esses dados, compilados a partir de registros do Observatório das Migrações, mostram um movimento muito significativo, que coloca o Brasil no radar definitivo de quem busca oportunidades e, ao mesmo tempo, uma porta aberta à residência para investidores estrangeiros. Ao entender esses números e suas origens, vejo uma dinâmica que mistura confiança, oportunidade e um olhar atento às novas regras migratórias brasileiras.
De onde vem o dinheiro: principais países investidores
É interessante notar, após revisar os dados do boletim, que os Estados Unidos lideram com folga o ranking dos investidores estrangeiros em imóveis dentro do Brasil. Somente no período analisado, foram R$ 65,7 milhões oriundos dos EUA. Esse valor representa quase um quarto do total.
- Estados Unidos: R$ 65,7 milhões
- França: R$ 39,9 milhões
- Itália: R$ 39,5 milhões
- Alemanha: R$ 29,7 milhões
- Reino Unido: R$ 11,5 milhões
- Canadá: mais de R$ 6 milhões
- República Tcheca: mais de R$ 6 milhões
Só em setembro de 2024, o investimento total estrangeiro em imóveis chegou a R$ 24,2 milhões, sendo que R$ 7,6 milhões vieram de investidores estadunidenses. A presença de países europeus se destaca não só pelo valor, mas também pela constância dos aportes mês após mês.

Principais destinos do capital estrangeiro no Brasil
Nunca foi segredo que grandes cidades brasileiras despertam o interesse externo, mas os números recentes reforçam o papel do Rio de Janeiro nessa equação. Segundo o repositório dos Boletins de Migração, o Rio foi o estado que mais atraiu investimentos imobiliários de estrangeiros em 2024, somando R$ 125,2 milhões.
- Rio de Janeiro: R$ 125,2 milhões
- São Paulo: R$ 56,4 milhões
- Santa Catarina: R$ 23,2 milhões
Observo que, além das capitais, cidades litorâneas e polos turísticos vêm recebendo cada vez mais atenção—não apenas pela beleza, mas pelas oportunidades de valorização.
O Rio mostra força como destino preferido dos investidores imobiliários internacionais.
Por que o Brasil está tão atraente para o investidor estrangeiro?
Depois de conversar com colegas e clientes, entendi que há um fator-chave que ajuda a explicar o boom: a possibilidade de obtenção de residência ao investir em imóveis no Brasil, uma política criada pela Resolução Normativa nº 36/2018 do Conselho Nacional de Imigração. A regra permite que estrangeiros solicitem autorização de residência ao comprar imóveis urbanos com valor igual ou superior a R$ 1 milhão (ou R$ 700 mil nas regiões Norte e Nordeste), desde que usem recursos próprios vindos do exterior.
Essa autorização precisa ser solicitada pelo sistema MigranteWeb, onde o investidor deve comprovar tanto a compra do imóvel quanto a origem legítima dos recursos, como prevê a Resolução Normativa nº 36.
A residência concedida inicialmente terá validade de até quatro anos e pode ser renovada, desde que todos os pré-requisitos continuem atendidos. Isso contribui para aumentar ainda mais o interesse de quem sempre sonhou em morar no país, trazendo benefícios para ambos os lados: mais consumo, mais circulação de capitais e, claro, projetos de vida pessoal e profissional sendo concretizados.
Em 2024, o Ministério lançou um guia rápido sobre o processo, disponível em quatro idiomas, facilitando bastante a vida dos interessados estrangeiros. Isso é um diferencial que senti na prática ao lidar com clientes vindos de fora—tudo fica mais simples e transparente.
Digitalização e transparência: boletim agora em versão business analytics
Uma grande novidade que chamou atenção em 2024 foi a disponibilização desses dados migratórios em versão business analytics, além do tradicional PDF. Isso ajuda gestores e o próprio governo na tomada de decisões, além de ser útil para quem, como eu, precisa orientar clientes de forma mais segura e estratégica. Essas ações mostram como o Brasil avança em transparência e governança, refletindo positivamente no cenário internacional.
No contexto da Mozer Advocacia, por exemplo, usar informações atualizadas permite oferecer serviços mais alinhados à realidade de cada investidor, reduzindo riscos e aumentando a segurança nos negócios imobiliários.
O papel da assessoria jurídica para investidores estrangeiros
Baseando-me na minha experiência na Mozer Advocacia, vejo diariamente que uma assessoria jurídica especializada é indispensável para garantir a segurança do investimento imobiliário do estrangeiro. Isso inclui:
- Verificação de toda a documentação do imóvel e do vendedor (due diligence)
- Elaboração de contratos personalizados, aderentes ao objetivo do cliente
- Análise de débitos e pendências legais
- Acompanhamento em cartório, do registro ao recolhimento de impostos
- Regularização registral e até processos de sucessão, inventário e testamentos
Nesses temas, a atuação jurídica é realmente o que separa uma transação tranquila de uma dor de cabeça futura.
O que mudou com o novo panorama?
A recente atualização das normas e o aumento do acompanhamento público sobre o fluxo migratório tornaram o processo mais seguro e previsível para o estrangeiro. Como escrevi em outro artigo, esses dados facilitam até mesmo identificar regiões promissoras para investir, apoiando decisões mais embasadas.
O volume de R$ 283,2 milhões em nove meses comprova a força desse movimento, em plena expansão.
Os investimentos não se concentram apenas no alto padrão. Há ampla busca por imóveis para moradia, locação, casas de férias e até estruturação de negócios familiares. Isso está gerando impactos positivos em setores como construção civil, turismo e serviços urbanos. No conteúdo sobre venda segura de imóveis para estrangeiros, trato de aspectos relevantes inclusive para compradores brasileiros.
Concluindo: o Brasil é oportunidade real para o investidor estrangeiro?
Depois de analisar dados, acompanhar tendências e auxiliar clientes em diferentes situações, posso afirmar com confiança: o Brasil vive um momento propício para atrair investidores internacionais no setor imobiliário, apoiado pela segurança jurídica e por processos cada vez mais claros.
Caso queira avaliar como a assessoria jurídica pode proteger sua entrada nesse mercado e viabilizar negócios do início ao registro do imóvel, sugiro conhecer o trabalho da Mozer Advocacia. E para acessar mais análises e conteúdos de referência sobre o mercado imobiliário e temas migratórios, confira nosso blog.
Perguntas frequentes
O que atrai imigrantes para o mercado imobiliário?
Há diferentes fatores que despertam o interesse de imigrantes pelo mercado imobiliário brasileiro. Entre os principais, destaco a possibilidade de obter residência ao investir em imóveis urbanos de valor mínimo, a perspectiva de valorização dos bens, a beleza das cidades brasileiras e a segurança jurídica ampliada nos últimos anos. O cenário econômico favorável e a diversidade cultural também pesam nessa equação.
Como um imigrante pode comprar imóvel no Brasil?
Para comprar um imóvel no Brasil, o imigrante deve apresentar documentação pessoal, utilizar recursos próprios provenientes do exterior e contar com a assessoria de um advogado especializado. Para quem busca residência, é preciso seguir a Resolução Normativa nº 36/2018 e realizar a solicitação no MigranteWeb, comprovando origem dos recursos e aquisição do imóvel.
Vale a pena investir em imóveis no Brasil?
Na minha opinião, o Brasil oferece uma combinação atrativa de potencial de valorização, oportunidade de diversificação de patrimônio e acesso facilitado à residência. Ao analisar dados oficiais e a segurança proporcionada por assessoria jurídica, vejo que o investimento é uma opção interessante para estrangeiros, principalmente em cidades como Rio de Janeiro.
Quais cidades mais recebem investimentos de imigrantes?
Segundo os dados recentes, as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis estão entre as mais procuradas, mas há forte demanda em regiões turísticas e litorâneas de todo o país. O Estado do Rio liderou em 2024, seguido por São Paulo e Santa Catarina e certamente continuará liderando nos próximos anos.
Existe restrição para estrangeiro comprar imóvel?
De modo geral, não há restrição para aquisição de imóveis urbanos por estrangeiros no Brasil. Existe regulamentação especial para áreas rurais e imóveis em faixas de fronteira, mas para moradia urbana, basta seguir o procedimento legal, apresentar a documentação adequada e comprovar origem dos recursos, conforme prevê a norma específica.

O Rio mostra força como destino preferido dos investidores imobiliários internacionais.